No vídeo dessa semana, compartilhamos com vocês uma técnica que procura simular o solo da floresta na composição de um canteiro em situação de alta degradação. Pode parecer estranho, mas colocamos madeira triturada no fundo do canteiro. A sugestão foi de Ernst Götsch, quando esteve aqui conosco em Mértola, Portugal. No vídeo dá pra ver o passo-a-passo e a explicação da dinâmica que se pretende impulsionar com esse “truque”. Juntos, lascas de madeira, esterco e plantio adensado podem estimular a formação de solo.
O solo cria a planta que cria o solo que cria a planta…
É na rizosfera, a área em volta das raízes das plantas, que a mágica acontece. Grande parte dos açúcares que a planta produz é liberada nas raízes. Essa é a primeira “comida” de uma intensa cadeia trófica de vida do solo. Uma vez ativada essa grande (apesar de minúscula) rede de trocas e transformações, temos bactérias, micro artrópodes, fungos, nematoides, anelídeos acessando direta ou indiretamente aquele material que acrescentamos na superfície e no fundo do canteiro. O resultado do metabolismo de todos esses participantes é a biodisponibilização de nutrientes para as plantas e a formação de compostos que promovem a estruturação física do solo, tornando-o mais permeável e com maior capacidade de retenção de água.
A aplicação de compostos, o uso de microorganismos eficientes, ou de fermentados e inoculações de cepas específicas, são técnicas bastante conhecidas e geralmente muito eficientes. Basicamente, o que todas elas procuram fazer é recolonizar essa rede de vida do solo. O caso ilustrado no vídeo pode ser uma alternativa de mais baixo custo, mas seu sucesso depende do plantio diversificado e realmente adensado. Se pensarmos que a tal mágica da biodisponibilização de nutrientes acontece primordialmente a cerca de 3 cm das raízes das plantas, quanto mais raízes de diferentes espécies estiverem crescendo juntas melhor. Mas para isso é preciso incorporar definitivamente, na cabeça e no coração, o conceito de cooperação e amor incondicional.

