Integrando gado a um desenho Sintrópico

EXPERIÊNCIA DE INTEGRAÇÃO DO GADO EM SISTEMA DE AGRICULTURA SINTRÓPICA NA FAZENDA ESTRELA DALVA LAMARÃO

Autores: Luisa Nogueira Queiroz & Luciano Queiroz Neto

Nossa experiência com a Agricultura Sintrópica começou em 2017, quando implantamos o primeiro módulo na fazenda, em uma área piloto de 3 hectares.

A fazenda fica no município de Unaí, a cerca de 200 km de Brasília, e sua atividade principal é a pecuária leiteira.

Como nossa intenção com o projeto piloto de Agricultura Sintrópica era verificar, na prática, a conciliação da atividade produtiva com a regeneração do solo e do ambiente, escolhemos uma das áreas mais degradadas da fazenda para a implantação do projeto, e desenhamos o sistema pensando na possibilidade de integrar o gado leiteiro no futuro.

Adotamos, portanto, um espaçamento de 7 metros entre as linhas de árvore – parte do capim foi pensado para gerar matéria orgânica de cobertura do solo; e a outra parte para alimentar o gado. Desde o princípio, nossa ideia era ter na mesma área: produção sustentável de alimento, melhoria das condições do solo e ganho de produtividade da área de pastagem.

Condição inicial da área
Desenho da linha das árvores e faixa de capim

Após 16 meses do plantio, realizamos a primeira experiência de integração do gado de leite na área. Inicialmente, pensamos em instalar cercas com linhas de choque para proteger as linhas de árvore da interação com o gado. Porém, ao constatar que seriam necessários 5.600m de cerca, aproximadamente, para uma área de apenas 3ha, e considerando que já estávamos ampliando a área de Agricultura Sintrópica, concluímos que a instalação das cercas era financeiramente inviável, além de dificultar o manejo das linhas. Assim, decidimos iniciar a integração permitindo a interação do gado com as linhas de árvore. Para minimizar eventuais danos, no entanto, optamos por inserir bezerras na área, ao invés do gado adulto.

Abrimos então a área para 60 animais em março de 2019. Nos três primeiros dias, observamos que o gado concentrou a alimentação no abundante capim massai e mombaça (tipos de Panicum maximum, que já estavam altos demais — ou seja, com mais colmo e menos folha, tendo passado do ponto ótimo), ingerindo também, quando necessário, algumas folhas da mandioca plantada nas linhas de árvores.

Foto abaixo: área imediatamente antes da integração do gado — parte do capim havia sido cortada para cobrir as linhas de árvores com biomassa, e parte foi reservada para a alimentação dos animais. Na foto dá para conferir que o capim já estava fora do momento ótimo.

Ao longo dos dias que se seguiram, o gado passou a se alimentar, também, das folhas de batata-doce e de cará-do-ar plantados na primeira entrelinha, e de alguns açaís e bananas de pequeno porte. Observamos que a interação com as espécies das linhas ocorreu com bezerras mais “velhas” (acima de 6 meses).

Embora esta interação não tenha gerado danos relevantes nas culturas principais, diante do observado retiramos temporariamente o gado da área e roçamos o capim, para que as bezerras possam ser reinseridas quando aquele estiver no tamanho adequado para a sua alimentação. Adicionalmente, a reinserção se dará com bezerras mais jovens (de 3 a 6 meses de idade), e provavelmente numa densidade menor. Na nossa avaliação, nessas circunstâncias as interações serão mais benéficas para todo o sistema, incluindo o gado.

Durante a estiagem, quando o capim fica mais fraco e mais seco, vamos avaliar a evolução da integração e então definir o melhor manejo.

Na próxima experiência, enviaremos mais relatos, aprendizados e conclusões.

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