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"Vida em Sintropia" é o novo curta do Agenda Gotsch. Uma edição feita especialmente para ser apresentada em eventos na COP21 em Paris, com um compilado de experiências expressivas em Agricultura Sintrópica. Imagens e entrevistas inéditas.


"EUCALIPTO DANDO COMIDA, E NÃO SECANDO O SOLO"

Neste episódio apresentamos o trabalho de Juã e Rômulo, dois jovens que têm demonstrado que serviços ambientais são a consequência de uma boa agricultura!


O Agenda Gotsch segue em sua proposta de buscar histórias reais de experiências que estão dando certo. Neste episódio, apresentamos uma experiência de agrofloresta em grande escala que está acontecendo no interior de São Paulo, na Fazenda da Toca.


Neste novo episódio do Agenda Gotsch, Ernst apresenta uma de suas estratégias para lidar com o alto grau de degradação da Área 1: utilizar espécies menos exigentes, capazes de estimular a sucessão natural.


Sobre o vídeo

Neste episódio, Ernst Götsch discute os malefícios do fogo no preparo da área para a plantação - prática comum em situações como aquela. A matéria orgânica resultante da roçagem é organizada em ninhos que, nos próximos episódios, receberão o conjunto de sementes e mudas. Solo coberto e protegido é o primeiro dos passos do sistema de Ernst Götsch que garantem a fertilidade do solo. Sucessão de espécies, consórcios complexos e dinâmica de podas irão, em pouco tempo, promover a transformação e a formação de terra mais fértil do que a inicialmente encontrada.

Entender o solo como um recurso fundamental para a manutenção da vida foi o trabalho do geólogo americano David R. Montgomery. Abaixo reproduzimos trechos de seu livro "Dirt - The erosion of Civilizations".

"O duplo problema da degradação e erosão do solo tem atormentado a humanidade desde o advento da agricultura. (...)

Ao observar a história da agricultura pelo viés geológico, percebi que há um efeito bumerangue - a maneira como tratamos o solo determina como a solo irá nos tratar, e por quanto tempo. Também notei que nós podemos evitar o destino comum às antigas civilizações desde que nós não repitamos sua grande loucura de despir o solo fértil a uma taxa insustentável. Infelizmente, isso é exatamente o que nós estamos fazendo, só que dessa vez em uma escala global. (...)

Vida produz solo. Solo produz mais vida. Em linhas gerais, essa é a história do último meio bilhão de anos. A evolução das plantas e o advento da vida alimentaram o solo e o solo, em contrapartida, alimentou mais e maiores plantas que nutriram comunidades cada vez mais complexas de animais. Vida e solo eram parceiros até a agricultura moderna mudar esse jogo. Por quanto tempo poderá a agricultura moderna nos sustentar quebrando a ligação entre solo e vida? Considerando qualquer escala de tempo geologicamente significativa, uma civilização agrícola que degrada seu solo será transitória - não pode durar se destrói sua própria fundação."

Na contramão deste cenário, dentro dos sistemas produtivos manejados em sua fazenda, Ernst Götsch relata um aumento anual de 2 a 3cm da camada superficial do solo. Uma boa notícia para aqueles que, como Montgomery, se preocupam com a terra logo abaixo de nossos pés.


Uma forma diferente de pensar Ecologia. A different way of thinking Ecology.


Sobre o vídeo

Se tivéssemos que catalogar o conteúdo que é passado nesses vídeos, melhor seria inaugurar uma seção ao lado daquela que é conhecida como autoajuda. Ou melhor, não ao lado, mas sim atrás, já revelando na posição sua condição oposta.

Enquanto a autoajuda promete e promove o conforto, esta nova seção - que poderíamos chamar de não-autoajuda, ou contrajuda - patrocina o desconforto, subsidia o incômodo, desestabiliza conceitos e questiona o estabelecido.

E, ainda por cima, faz tudo isso de uma forma simples, com uma clareza que parece natural e com um reconhecimento que se faz imediato, pois diz respeito ao que nos é essencial.

Afinal, somos a única espécie neste planeta que não sabe ainda bem ao certo qual é sua função, nem tem certeza de onde fica seu habitat.

Para compor seu pensamento e sua ideia de agricultura, Ernst Götsch visita, Platão, Cícero, Kant, Confúcio e J. S. Bach. Dialoga com Viktor Schauberger, Vê sentidos em Sófocles e Ésquilo, compreende o mito de Kronos e reconhece o fio central da pregação de Jesus a Buda, de Maome a Lao Tse.

Por tudo isso fica difícil permanecer incólome depois de ser exposto à visão de mundo e de sistemas de Ernst Götsch. Já não é mais possível se contentar com menos e fica mais trabalhoso sustentar o argumento de que estamos fazendo nossa parte.

Não, nós não estamos fazendo a nossa parte.

Não, nossa agricultura não tem gerado recursos sem minerar outros.

E sim, nós precisamos ser mais rígidos com a semântica do termo sustentabilidade, e podemos evoluir muito se repensarmos ecologia e questionarmos nosso lugar e nosso papel nesse mundo.

É possível se ater apenas à aplicação da técnica de Götsch que, inclusive, não é dogmática e nem levanta nenhuma bandeira. O resultado dessa observação pode ser visto nos vídeos do Projeto Agenda Götsch: uma coleção de evidências comprobatórias de eficiência e abundância. Vemos a experiência funcionar, vemos os conceitos em ação.

Na agricultura praticada por Ernst Götsch cova passa a ser ninho, sementes passam a ser genes, capina passa a ser colheita, competição e concorrência dão lugar à cooperação e amor incondicional, monocultivos passam a ser florestas produtivas e pragas passam a ser Agentes de Fiscalização do Departamento de Otimização de Processos de Vida.

E em todos esses casos, a metáfora não é meramente ilustrativa, mas coincidência visceral de forma, função, ideia e comportamento. O que faz, invariavelmente, seu desdobramento ter consequências para além da técnica.

Em um tempo em que mesmo com um acúmulo de invenções surpeendentes não parecemos capazes de deter o crescimento de nossas insatisfações, descobrimos que muitas das nossas fomes podem ser saciadas quando a regra fundamental passa a ser a busca por fazer a coisa certa, seguindo simplesmente as leis da natureza da qual, aliás, devemos nos lembrar que fazemos parte.

Subitamente, a nossa contra-auto-ajuda passa a ser aquela que de fato proporciona o conforto por meio do aprimoramento.